terça-feira, 30 de agosto de 2011

Medinho

Eu tenho medo de água. De rio, daquilo que não enxergo o fundo. Não de chuva, pelo contrário... adoro chuva. Lembra minhas férias. Não sei porque, mas lembra. Tenho medo de escuro. De andar aonde não posso enxergar. Mas é estranho como gosto de fechar os olhos. E sim, fica escuro. Mas fecho até mesmo pra abraçar. Parece que posso guardar no tempo. Por isso minhas maiores memórias não são de algo que vi. Mas sim de algo que também pude tocar. Sentir. Tenho medo do aperto. De um lugar fechado, ou aquele nó na garganta que espreme o coração. Tenho medo, mas peço. Quase sempre. Tenho medo do novo. De não me adaptar, de errar. Mas me jogo e com tanta facilidade que quando vi já foi. Alguns chamam de coragem. E olhando de fora, até que parece mesmo. Mas não passa de medo com uma dose de inconsequência. Tenho medo de ficar sozinha. De dormir sem ter mais ninguém na casa. De ficar dias sem ver alguém pra quem possa contar alguma coisa. Mas as vezes precisava tanto de um lugar só meu. De colocar pensamentos em ordem. A minha ordem. Eu tenho medo. Mas já tive mais. Tinha principalmente medo de falar dos medos. Não que o medo tenha passado, ou que eu lute pra que esse dia chegue. Não que seja preciso perdê-los. Não é nada extraordinário. Mas conviver com eles fica bem mais fácil quando os entendo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Se essa rua fosse minha...

...Eu mandava, eu mandava parar o tempo...

Apesar de meus pessimismos sociais, sempre que saio de casa, essa bendita rua volta a me encher de esperanças. Calma, eu explico:

Cresci jogando bola, muito mal por sinal, bete, pique esconde e variações, soltei pipa, andei de bicicleta, golzinho, cu de boi, chutei bola em portão de vizinho, apertei campainha e muitas outras coisas. Brincadeiras essas que todas as crianças deveriam ter a oportunidade de vivenciar, mas a cada dia mais tecnológicas elas ficam, mais distantes da rua, claro, a culpa também se deve ao perigo que as espreita a cada passo dado fora de casa, drogas, violência e por ai vai. Como resultado esses meninos e meninas crescem enclausurados se contentando com brincadeiras restritas aos limites de sua casa ou os limites de sua internet, pior ainda quando se resignam a televisores, aí sofrem com toneladas de informações distorcidas que são despejadas sobre elas a cada dia, e acabam se tornando facilmente influenciadas e sem opinião.

Mas não na minha rua, sempre tem um bando moleques jogando bola descalços, correndo, andando de bicicleta, soltando pipas, recentemente descobri um grupo de meninos que até de carrinho de rolimã andam! Mas não é um bem apenas de minha querida rua, quando ando por Anápolis, vez ou outra, me deparo com grupos de crianças que estão brincando, e nada mais. Eu sou relativamente novo pra falar esse tipo de coisa, mas eu realmente temo que esse tipo de visão fique mais rara a cada dia, mas sempre que minhas duvidas sobre nosso futuro aumentam, eu saio pra dar uma volta, e essa cidade, que tenho orgulho de dizer que amo, recarrega meu otimismo.

O mundo ainda tem salvação, as crianças ainda são apenas crianças, como devem ser sempre!